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Software Factory: Como Combinar Código e Agentes para Engenharia Real

Engenharia agêntica não é empilhar agentes — é combinar engenheiro + código + agentes, onde código valida o que agentes propõem. A Super Simple Software Factory mostra como fazer isso observável, customizável e reutilizável em qualquer codebase.

Giovani Junior 25 de ago. de 20265 min de leitura
dashboard de uma software factory mostrando fases de agentes com gates de validação de código entre cada fase, observabilidade e métricas de custo

Tem um vídeo que vi recentemente que mudou um pouco como eu entendo engenharia agêntica — não é sobre rodar um agente, nem sobre orquestrar múltiplos agentes em paralelo. É sobre combinar três coisas: um engenheiro, código, e agentes. Código propõe estrutura, agentes propõem trabalho, código valida e dispõe o resultado. "Agents plus code beats agents alone." Se você só empilha skills e sub-agentes sem um gate de validação determinística entre as fases, você vai pagar isso depois em custo, velocidade e alucinação acumulada.

Por que Software Factory Importa Agora

Vibe coding (não saber como seu sistema funciona e não olhar) é a morte lenta de um pipeline agêntico. Agentic engineering (saber como seu sistema funciona tão bem que você não precisa olhar porque a validação automática já faz por você) é o próximo degrau. A diferença é o código validando agentes, não agentes validando código. Quem fica só gerando saída sem checkpoint determinístico vai descobrir no mile 1000 que os agentes acumularam um viés ou um erro sistemático, e aí recuperar é caro.

Observável — A Linha Fina Entre Cego e Perdido

Se você não consegue medir seus agentes, não consegue melhorá-los. A Super Simple Software Factory (SSSF) abre uma "swim lane" view de cada fase do pipeline — cada prompt compilado (system + user), cada tool call, cada breakdown de custo por agente visível. Você vê exatamente o que foi pedido, o que foi respondido, quanto custou. Não é telemetria genérica — é o prompt REAL que rodou, com o valor REAL que cobrou. Quando um agente falha, você vê o stack trace daquele agente específico, não um erro agregado de "modelo retornou null".

Observabilidade é o que transforma "meu agente está ruim" em "ah, o prompt do scouting tá pedindo features demais no passo 1, vou cortar 3 linhas e rerunnar". Medição rápida = iteração rápida.

Customizável — O Core Four Está Tudo em Um Arquivo

Um único arquivo YAML controla o "core four" de cada agente no time: contexto, modelo, prompt, e tool access. Não é XML aninhado, não é banco de config — é YAML simples, legível, versionável. "Domine o core four, domine o agente." Você muda um modelo pra tentar Gemini 3.6 Flash no scouting (mais rápido, mais barato) e deixa Opus 5 no planeamento pesado? Uma linha do YAML. Você quer passar contexto a mais pra um agente específico? Outro bloco YAML. Não tem framework oculto, configuração por convenção, ou "magic" — tudo é explícito e legível.

Isso importa porque quando um agente tá ruim, você não tá debugando um framework preto. Você tá olhando direto pro YAML e pensando: "esse prompt tá claro?", "esse modelo é o certo pra essa fase?", "esse tool tem permissão?". Simplicidade é documentação de graça.

Reusável — /install Vai em Qualquer Codebase

Um comando `/install` instala a fábrica inteira em qualquer codebase. E isso importa porque um agente consegue operar E instalar sozinho — é uma skill que outro agente consegue chamar, não é um deployment manual. Você tem um codebase novo? Agente chama `/install`, bootstrap acontece automático, e você já tá rodando o pipeline. Em produção, um agente de operações consegue girar up novas fábricas por conta própria sem você tocar.

Três Workflows na Prática

O vídeo rodou 3 exemplos ao vivo, em complexidade crescente. O primeiro, Scout, é bem simples: 1 agente, 2 fases. Agente mapeia o app e sugere 3 features novas. Usa Gemini 3.6 Flash (modelo "workhorse" barato, ~$1.50 de input total). A sacada: ele parou de fixar num modelo só e pensa em "model stack" — modelo barato pro scouting, modelo potente pro planeamento.

O segundo, Plan→Build→Test, é intermediário. Kimi K3 planeja (primeiro modelo open-weights em tier state-of-the-art, mas "pensa" bastante, mais lento). Gemini 3.6 Flash constrói. Depois de construir, 2 checks determinísticos rodam automaticamente — se falhar, devolve pro agente de build corrigir. A chave: código validando, não agente validando.

O terceiro é o SDLC completo: Plan → Build → Test → Fix (se precisar) → Review → Revise (se precisar) → Document → Commit. Entre cada fase, gate checks determinísticos decidem se avança. Opus 5 planeja (apesar de benchmark dizer que Opus 5 supera Fable 5, ele comenta que na prática ainda sente Fable 5 mais forte em situação crítica). Mas a novidade é que entre fases, não tem agente decidindo — é código verificando. Test suite que já passou não volta pro context window do agente — deixe o código validar, só devolva pro agente quando falha. Essa é a linha fina entre vibe coding e engenharia agêntica.

Por Que Isso Importa Para Devs

(1) Observabilidade mata alucinação cumulativa. Cada prompt visível, cada custo visível, cada falha rastreável. Não é "o sistema tá estranha", é "fase 3 do workflow gerou saída inválida porque o prompt tá pedindo algo impossível".

(2) Customização rápida premia iteração. Arquivo YAML, não framework. Mudar modelo, contexto, ou tool em 30 segundos. Quando você tá aprendendo o que funciona, velocidade de iteração é o gargalo real.

(3) Código como árbitro, não agente. Determinístico bate heurística quando escala. No mile 1, agente julgando output é ok. No mile 1000, só código validando mantém a confiabilidade.

Conclusão

Vibe coding é não saber como seu sistema funciona e não olhar. Engenharia agêntica é saber como seu sistema funciona tão bem que você não precisa olhar porque a validação já faz por você. Software factory é o infrastructure pra isso — simples, visível, customizável, reusável. Quem só empilha agentes sem validação determinística vai descobrir tarde que a escala traiu. Quem combina código e agentes já tá vencendo.

Todo o conteúdo e os 3 workflows estão detalhados no vídeo completo do IndyDevDan.

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